Bicentenário da Imprensa na Bahia

No dia 14 de maio de 2011, a Imprensa Baiana completou 200 anos. A data é uma referência à publicação do primeiro jornal feito no estado - Idade D’ouro do Brazil -, o segundo periódico publicado no país, com a autorização do Príncipe Regente, D. João VI. O primeiro foi a Gazeta do Rio de Janeiro, que circulou pela primeira vez em 10 de setembro de 1808.

Já se passaram quase cinco meses das comemorações do bicentenário, porém acredito que ainda está em tempo para se comentar mais sobre o assunto. Devido à importância da data, imagino que as comemorações deveriam durar o ano inteiro e encerar com o aniversário de 100 anos do jornal A Tarde, que será realizado em 15 de outubro de 2012. Aproveito o momento para lembrar que estar na hora de pararmos para refletir quais sãos os novos caminhos que a imprensa da Bahia deverá tomar, diante de tantas mudanças sociais, políticas e tecnológicas, que a sociedade passa nos dias atuais. Por exemplo, qual será o destino dos jornais impressos? Eles sobreviverão diante da internet, ou seus dias estão contados? Com a palavra os pesquisadores e os teóricos da comunicação. 

Embora tenham ocorrido vários eventos de maio até agora, acredito que ainda não esgotaram as homenagens, a nossa brilhante imprensa, que mesmo enfrentando inúmeras dificuldades resiste bravamente e luta pela manutenção da democracia. Mas aos interessados no tema, aqui vai uma informação: entre as ações que ainda estão sendo organizadas para marcar o bicentenário da imprensa, está o levantamento dos principais jornais que estão em circulação na Bahia, em 2011. O trabalho deverá se transformar em um guia em forma de livro, com um pequeno resumo da história desses veículos e seus respectivos contatos. 

O objetivo da publicação é registrar estes periódicos, para que no futuro, ou mesmo no presente, possa servir de roteiro para pesquisadores que tenham interesse em estudar profundamente a história do jornalismo na Bahia, tanto o da capital, como do interior. O trabalho está em fase de conclusão e deverá ser lançado até dezembro desse ano. Todos os jornais estão convidados a participar, e fazer parte deste importante instrumento de preservação da memória jornalista da Bahia.

Entre as instituições que lembraram da passagem dos 200 da imprensa na Bahia, está a Fundação Pedro Calmon, que realizou no dia 14 de maio, uma palestra com o lançamento dos livros Diário Constitucional: um periódico baiano defensor de D. Pedro-1822 e A Primeira Gazeta da Bahia: Idade D’Ouro do Brazil (EDUFBA), ambos da historiadora Maria Beatriz Nizza da Silva; a Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia, que realizou nos dias 11, 12 e 13 de maio, o seminário 200 anos de jornalismo na Bahia: transformações, atuação profissional e ensino, com a presença de diversos profissionais e pesquisadores; a Assembleia Legislativa fez uma sessão especial no dia 19 de maio, onde participaram representantes do jornalismo impresso, rádio, TV e internet.

Em julho, foi à vez do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), também discutir o tema, no Ciclo de Debates 200 Anos da Mídia na Bahia, que ocorreu nos dias 12 e 13 e a Associação Baiana da Imprensa (ABI) exaltou os 200 anos da imprensa na Bahia, no dia 16, quando na ocasião, a Casa da Moeda fez 244 medalhas em bronze, prata e ouro, com a imagem do oitavo conde dos arcos, Marcos de Noronha e Brito, e do morgado de Santa Barbara, nome do edifício que foi sede do Idade D’ouro do Brazil, na capital.

E mais recentemente, a Academia de Letras da Bahia também rendeu homenagens aos 200 anos da Imprensa, através de uma sessão especial, que contou com a presença de jornalistas, historiadores, escritores e pesquisadores. Estas são apenas algumas das instituições que homenagearam os 200 anos da imprensa. Liberdade e vida longa a imprensa da Bahia! 

Carlos Souza / Jornalista e coordenador da União Brasileira de Escritores (UBE), núcleo Bahia.



Artigo publicado no Jornal A Tarde. Salvador, quarta-feira, 05 / 10/2011. Populares – Página 06